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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Cinema: A força do Discurso

A gagueira pode irritar muitos, para outros passar desapercebida, mas problema mesmo é quando a pessoa gaga precisa discursar, constantemente, para grandes públicos. Imagine então um presidente, um rei.

O Discurso do Rei (The King's Speech, 2010) contará exatamente a trajetória de um homem que acabou se tornando rei, porém, o maior problema enfrentado era exatamente falar em público. Sua gagueira só piorava e não conseguia realizar seus discursos.

George (Colin Firth), com a ajuda de sua esposa muito persistente, tentará driblar esta questão. Após várias tentativas se encontrará com o australiano, não muito normal, Lionel Logue (Geoffrey Rush). Mais do que lidar com a gagueira e compreender por que ela está presente em sua vida George aprenderá muito sobre amizade e sobre si mesmo.

A história é bem construída. Um enredo lento, no começo, porém necessário e não chega a ser cansativo. As belas imagens fascinam, além do bom humor presente nas cenas com Lionel e George.

Não vale a pena ficar avaliando se a história contada está de acordo com a realidade do pai da então rainha Elizabeth II. Legal mesmo é deixar se envolver pelo desafio de George.

Este desafio reafirma o poder da comunicação, das palavras ditas verbalmente ou expressadas, independente da maneira como as utilizará; a verdade é que são significativas. Não se trata somente de conseguir realizar um belo discurso ou declarar palavras as pessoas. A comunicação tem mostrado, desde sempre, o quão poderosa é. No filme ainda reafirmada pelos acontecimentos Hitler - ele pode ter sido um ditador, mas ninguém pode negar a sua competência no falar.

Colin Firth dá um banho de atuação, definitivamente sua indicação ao Oscar faz sentido. Nos unimos a ele e Lionel na tentativa de fazê-lo falar adequadamente; não se surpreende se no discurso, que dá nome ao filme, você não conseguir respirar como se quisesse emprestar suas cordas vocais ao rei.

Geoffrey Rush não fica atrás, uma atuação fantástica e seu personagem valoriza o protagonista, em alguns momentos é possível se questionar quem é o protagonista da história. Além de ser o responsável por muitos momentos de humor neste drama.

Outra indicada ao Oscar neste filme é Helena Bonham Carter na pele da zelosa e corajosa Elizabeth. Sem muitas falas, porém com presença marcante e importante. Estes três atores conseguiram, com certeza, construir uma cumplicidade intensa e interessante de ser observada.

O filme não chega a ser no estilo 'cult' e também não entra completamente no modelo 'hollywodiano', o que permite a qualquer um arriscar ficar quase duas horas na frente da tela. Não se preocupe a competência da história, atores e imagens não te fará sentir cansado e não estará perdendo tempo. Além de ser um grande lição de superação.

Obs: O Discurso do Rei tem 11 indicações para o Oscar 2011, não é exagero e certamente pelo menos um ou dois levará.


O Discurso do Rei (The King's Speech)
lançamento: 2010 (Inglaterra)
direção:Tom Hooper
atores:Colin Firth, Helena Bonham Carter, Geoffrey Rush, Michael Gambon.
duração: 118 min
gênero: Drama

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Coração Louco (Crazy Heart, 2010)

Alguns filmes não precisam de estórias milaborantes, muito menos efeitos especiais surreais para serem excelentes. Uma estória simples pode ter uma força incrível quando bem direcionada. Este é o caso de Coração Louco (Crazy Heart, 2010). A estória: um cantor country alcoólatra e falido tentando sobreviver como pessoa e como cantor, encontra uma mulher que mudará tudo e, claro, o amigo verdadeiro.

O diferencial fica por conta de Jeff Bridges o ator que entra na pele de Bad Blake, e ganhou, merecidamente, o Oscar de melhor ator. Bad Blake conquista e, torcemos para que ele saia vitorioso em sua caminhada. A fotografia e direção do filme também colocam a estória em um patamar elevado, dando atenção a mínimo detalhes que fortalecem a criação de uma personagem - como quando Blake faz xixi logo após uma ligação em telefone público, isto é, xixi na beira da estrada.

Os demais atores também permitem uma equipe de primeira. Maggie Gyllenhall é a jornalista
Jean, por quem Blake se apaixona. Collin Farrel também surpreende ao soltar sua voz. Ainda bem, pois não estraga a bela e encantadora trilha sonora preparada para este filme. Muita country music de qualidade, com pitadas de blues e as clássicas, claro. Vale a pena ter em casa.

Um filme gostoso de assistir. Para ser visto em casa com som alto, não é preciso pensar muito, apenas acompanhar a história. Alguns até se emocionarão, outros, talvez, achem um pouco lento. Mas, a estória tem seu clímax bem pontuados, não deixando pontas soltas e nem criando acontecimentos sem nexo. E, no final, o importante é cuidar de si mesmo, não desistir jamais, aceitar o recomeço e sempre ter aquele amigo em que possa confiar sempre.



Coração Louco (Crazy Heart, 2010)
Elenco:Maggie Gyllenhaal, Jeff Bridges, Colin Farrell, Robert Duvall,
Beth Grant, Sarah Jane Morris, Tom Bower,
Annie Corley, Alexandria Morrow, Luce Rains.
Direção: Scott Cooper
Gênero: Drama
Duração: 112 min